A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) realizou, nesta quinta-feira (25), sua 955ª Reunião Deliberativa Ordinária (RDO), na sede da Agência, em Brasília. Durante o encontro, foram aprovadas três Declarações de Reserva de Disponibilidade Hídrica (DRDH) para empreendimentos hidrelétricos, o Relatório de Segurança de Barragens (RSB) 2026 e o indeferimento de um recurso administrativo em segunda instância contra auto de infração aplicado pela ANA.
Entre as deliberações aprovadas, a Diretoria autorizou duas renovações e uma nova Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica (DRDH) solicitadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As renovações referem-se aos aproveitamentos hidrelétricos da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Boa Vista e da Pequena Central Geradora (PCG) Marambaia, ambos localizados no rio Pardo, no município de Poços de Caldas (MG). Também foi aprovada a DRDH para a PCH Santa Vitória, prevista para o rio Pelotas, no município de Bom Jesus (RS). As matérias tiveram relatoria das diretoras Larissa Rêgo, Ana Carolina Argolo e Cristiane Battiston, respectivamente.
A Diretoria Colegiada também aprovou o Relatório de Segurança de Barragens (RSB) 2026, documento elaborado anualmente pela ANA com base em informações encaminhadas pelos órgãos fiscalizadores de segurança de barragens em atuação no País. O relatório apresenta um panorama da implementação da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), da situação das barragens brasileiras e das ações desenvolvidas pelos órgãos responsáveis pela fiscalização, contribuindo para o fortalecimento da gestão e da prevenção de riscos relacionados a essas estruturas. A matéria foi relatada pela diretora Cristiane Battiston.
Outro item apreciado pela Diretoria foi o recurso administrativo, em segunda instância, apresentado pela empresa Fortaleza Ambiental Gerenciamento de Resíduos Ltda. contra o Auto de Infração nº 5322/2025/COFIU/SFI-ANA. Após análise do processo, o colegiado decidiu pelo indeferimento do recurso, mantendo a decisão administrativa anteriormente proferida. A relatoria foi da diretora Ana Carolina Argolo.
Calendário
Está disponível no site da ANA o calendário das reuniões deliberativas da Diretoria Colegiada para 2026. Ao longo do ano, estão previstos encontros mensais, com possibilidade de alterações nas datas. Para conferir os atos convocatórios, as atas dos encontros e demais informações, acesse a página das reuniões deliberativas no site da ANA.
Nas reuniões deliberativas da Diretoria Colegiada, os(as) diretores(as) da Agência decidem sobre temáticas relacionadas aos recursos hídricos, saneamento básico, segurança de barragens, entre outros assuntos de natureza regulatória. Na prática, esses encontros, que são transmitidos ao vivo pelo canal da Agência no YouTube, tratam de condições de operação de reservatórios, regras para o uso de recursos hídricos, normas de referência para o setor de saneamento básico, aspectos relativos à segurança de barragens, pedidos de outorga de direito de uso de recursos hídricos de domínio da União, entre outros temas. As partes interessadas em matérias deliberadas nessas reuniões podem solicitar espaço para sustentação oral por meio do site da ANA.
Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
Evento realizado na Sanasa Campinas reuniu educadores ambientais para conhecer iniciativas de redução de perdas e refletir sobre a gestão dos recursos hídricos nas Bacias PCJ
O 3º Encontro do Projeto Gota d’Água, realizado nesta quarta-feira (17), no Auditório Capivari da Sanasa, em Campinas (SP), reuniu educadores ambientais para acompanhar apresentações sobre gestão hídrica, usos da água e disponibilidade hídrica nas Bacias PCJ. Promovido pelo Consórcio PCJ, o encontro também contou com uma atividade interativa que estimulou a reflexão sobre os desafios da gestão e da distribuição dos recursos hídricos na prática.
A programação do encontro teve início com um tira-dúvidas sobre as inscrições do Prêmio “Sua Gota Faz a Diferença”, realizado anualmente no âmbito do Projeto Gota d’Água. O momento permitiu esclarecer questões sobre as categorias, modalidades e critérios de participação da premiação, que em 2026 tem como tema “A Gestão da Água Através do Tempo” e busca valorizar iniciativas de Educação Ambiental desenvolvidas nas escolas dos municípios participantes.
Na sequência, a Engenheira do Controle de Parâmetros Hidráulicos e Análise de Perdas da Sanasa Campinas, Sabrina Rodrigues Coelho, ministrou a palestra “Gerenciamento de Eventos com IA para Redução de Perdas de Água”, na qual apresentou um projeto inovador voltado à melhoria da eficiência operacional do sistema de abastecimento do município por meio do uso de Inteligência Artificial (IA). A iniciativa, iniciada em 2024, é resultado de uma parceria público-privada entre a Sanasa, a Amanco Wavin e a Microsoft, com duração prevista de dez anos.
Segundo Sabrina, o projeto monitora continuamente variáveis hidráulicas, como vazão e pressão, em diferentes regiões da cidade, permitindo identificar anomalias no sistema de abastecimento antes mesmo que a população perceba possíveis impactos.
“Esse projeto tem possibilitado a gente agir de uma maneira mais ágil e preditiva. Antes que os consumidores percebam algum incômodo, como desabastecimento ou uma pressão muito elevada, a gente já consegue identificar, através da plataforma, que aquela região está com alguma situação anômala e, com isso, a gente já consegue encaminhar as equipes a campo para que elas consigam fazer as ações corretivas”, destacou.
A segunda palestra foi ministrada pelo Coordenador de Projetos do Consórcio PCJ, Aguinaldo Brito Júnior, que trouxe o tema: “Usos e Disponibilidade Hídrica”. Aguinaldo apresentou um panorama da disponibilidade hídrica global, nacional e das Bacias PCJ, região que abriga cerca de 5,9 milhões de habitantes, possui intensa atividade econômica, múltiplos usos da água e forte dependência do Sistema Cantareira.
Dessa forma, a demanda pela água cresce constantemente, enquanto a disponibilidade sofre para acompanhar. A estimativa para 2030 é que a demanda seja de 42,8 metros cúbicos por segundo (m³/s), enquanto a disponibilidade hídrica é de 40,7 m³/s.
Para Aguinaldo, o enfrentamento desse desafio passa pela ampliação da resiliência hídrica, por meio de investimentos em reservação e no combate às perdas de água. “Os principais pontos que foram abordados foi o fato de a gente estar numa área extremamente urbanizada e industrializada, portanto com grande adensamento populacional, uma área que é muito sensível a variações climáticas e que depende fortemente do Sistema Cantareira. Isso faz com que seja necessário sempre reforçar a importância do aumento da resiliência hídrica”, afirmou.
Ao final do encontro, os educadores foram convidados a participar de uma atividade interativa para debater os “Usos e a Disponibilidade Hídrica” na prática. Divididos em grupos que representavam diferentes setores usuários da água, como abastecimento urbano, indústria e agropecuária, os participantes tiveram a missão de defender a parcela de recursos hídricos necessária para atender suas demandas. O quarto grupo, representando os governantes, ficou responsável por avaliar as solicitações apresentadas pelos demais setores e deliberar sobre a quantidade de água que seria destinada a cada uso, simulando os desafios da gestão e da tomada de decisões relacionadas aos recursos hídricos.
A coordenadora do Programa de Educação e Sensibilização Ambiental do Consórcio PCJ, Mariane Leme, destacou que a proposta buscou transformar conceitos técnicos em uma experiência prática de aprendizagem. “A dinâmica permitiu que os participantes refletissem sobre os desafios da gestão dos recursos hídricos, compreendendo que a água atende diferentes necessidades e que sua distribuição exige diálogo, planejamento e responsabilidade. Ao se colocarem no papel dos diversos usuários, os educadores puderam perceber a importância de conciliar interesses e construir soluções coletivas para garantir a segurança hídrica das atuais e futuras gerações”, afirmou.
Sobre o Projeto Gota d’Água
Iniciado em 1994 nas Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, o Projeto “Semana da Água” foi reformulado pelo Programa de Educação e Sensibilização Ambiental do Consórcio PCJ e, desde 2015, passou a integrar o Projeto Gota d’Água. O Projeto tem como objetivo fortalecer a educação ambiental nas Bacias PCJ e é consolidado como uma das principais iniciativas de educação e sensibilização ambiental da região, ampliando o conhecimento sobre os recursos hídricos e incentivando a formação de multiplicadores junto à comunidade escolar e à sociedade em geral. Por ano, em média, cerca de 150 mil pessoas participam do Gota d’Água.
Em 2026, o projeto tem como tema das capacitações “A gestão da água através do tempo”, escolhido através de consulta online. O objetivo é ampliar a compreensão sobre como a sociedade tem lidado com a água ao longo da história e como esse percurso influencia os desafios atuais e futuros. Mais informações acesse www.agua.org.br/projeto-gota-dagua.
Fonte: Consórcio PCJ
A atualização do Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco foi um dos temas debatidos pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) durante a 20ª edição do Bahia Farm Show, realizado de 8 a 13 de junho, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia.
O presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, participou na quarta-feira (10) do painel sobre recursos hídricos promovido pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). Considerada uma das maiores feiras de tecnologia agrícola e negócios do país, a Bahia Farm Show reuniu produtores rurais, empresas, pesquisadores, instituições públicas e entidades ligadas ao agronegócio.
Durante o debate, Cláudio Ademar destacou a importância da participação dos diferentes segmentos da sociedade na atualização do Plano de Recursos Hídricos da Bacia do São Francisco, processo que será iniciado ainda este ano. “O plano não pertence ao Comitê. Ele pertence à sociedade da bacia do São Francisco. Precisamos da participação dos municípios, dos estados, dos irrigantes, das comunidades tradicionais, do setor produtivo e de todos aqueles que dependem das águas do rio”, afirmou.
A discussão ocorreu em uma região estratégica para a gestão das águas do São Francisco. Integrante da região fisiográfica do Médio São Francisco, o oeste baiano abriga importantes afluentes do rio, como os rios Grande e Corrente, fundamentais para o abastecimento humano, a produção agrícola e a manutenção dos ecossistemas.
Ao abordar os desafios do planejamento hídrico, o presidente do CBHSF defendeu uma visão integrada da bacia, incluindo não apenas a calha principal do Rio São Francisco, mas também seus afluentes. “Precisamos pensar a gestão olhando para toda a bacia hidrográfica. Os afluentes também fazem parte do São Francisco e precisam estar integrados ao planejamento”, destacou.
Segundo ele, a atualização do plano representa uma oportunidade para incorporar novas demandas, tecnologias e perspectivas dos diferentes usuários da água, fortalecendo o planejamento para os próximos anos.

Água, produção e sustentabilidade
Outro tema abordado pelo presidente do CBHSF durante o painel foi a relação entre segurança hídrica, produção de alimentos e conservação ambiental. “Ninguém consegue cuidar da Caatinga de barriga vazia. Precisamos de água em quantidade adequada para os múltiplos usos, mas também para a produção das famílias”, afirmou.
Para ele, a sustentabilidade no meio rural passa pela conciliação entre produção e preservação dos recursos naturais, com respeito aos instrumentos de gestão e proteção ambiental, como a preservação das Áreas de Preservação Permanente (APPs), a manutenção das reservas legais e a regularização dos usos da água por meio da outorga.
Também participaram do painel o diretor-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Eduardo Topázio, e o superintendente de Regulação de Usos de Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Marcos Neves. A mediação foi conduzida por Gláucia Araújo.
A Associação Brasileira de Recursos Hídricos, ABRHidro, esteve representada, nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, no 3º Encontro Estadual de Comitês de Bacias Hidrográficas do Paraná, ECOB-PR, realizado em Curitiba. A participação ocorreu por meio da Diretora de Representações e Regionais da ABRHidro, Caroline Kozak.
O evento, realizado pelo Instituto Água e Terra do Paraná, IAT, autarquia vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável, SEDEST, reúne representantes dos Comitês de Bacias Hidrográficas, órgãos públicos, usuários da água, universidades e entidades da sociedade civil para debater a gestão dos recursos hídricos no Estado. A programação segue até sexta-feira, 19 de junho, com foco na integração entre comitês, troca de experiências e fortalecimento das políticas públicas relacionadas à água.
A presença da ABRHidro no encontro reforça a importância da representatividade da Associação em diferentes organismos colegiados e instâncias técnicas da área de recursos hídricos. Atualmente, a ABRHidro conta com representações em espaços de bacia hidrográfica, unidades federativas, instâncias nacionais e internacionais, incluindo Comitês de Bacia Hidrográfica, Conselhos Estaduais e Nacional de Recursos Hídricos e o Conselho Latino-Americano da Água.
Caroline destaca que essas representações são fundamentais para ampliar o diálogo técnico e contribuir com a construção de soluções alinhadas à missão da comunidade da água. Nesse contexto, os associados regulares que representam a ABRHidro também exercem papel estratégico ao defenderem, em diferentes fóruns, o compromisso da Associação com o planejamento, a gestão e o avanço técnico-científico dos recursos hídricos no Brasil.
Caroline Kozak é doutora e mestre em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental pela Universidade Federal do Paraná e graduada em Engenharia Ambiental pela Universidade Estadual do Centro-Oeste, onde atua como professora adjunta. Tem experiência em monitoramento da qualidade da água, poluição difusa, precipitações, instrumentos de gestão, educação ambiental e soluções baseadas na natureza.
Ela deseja sucesso ao colegas e associados que seguem no evento, enquanto segue para outra agenda institucional: “Desejo sucesso nos diálogos e na construção colaborativa a todos associados que seguem em agenda, empenhados na atuação institucional nos espaços de governança da água e fortalecendo o nosso compromisso com a gestão participativa, integrada e qualificada dos recursos hídricos”.
Fonte: ABRHídro
A Agência Peixe Vivo esteve presente na 13ª Cúpula Mundial de Bacias da Rede Internacional de Organismos de Bacias (RIOB), realizada entre os dias 16 e 19 de junho de 2026, no Rio de Janeiro. A instituição foi representada por sua Diretora-Geral, Rúbia Mansur, em um dos mais importantes encontros internacionais dedicados à gestão integrada de recursos hídricos em nível de bacias hidrográficas.
O evento reuniu representantes de organismos de bacia, governos, instituições técnicas, organismos multilaterais e especialistas de diversos países com o objetivo de promover o intercâmbio de experiências, ferramentas e boas práticas voltadas ao fortalecimento da governança das águas.
A participação da Agência Peixe Vivo teve como foco o estreitamento de relações institucionais com organismos nacionais e internacionais, ampliando oportunidades de cooperação técnica, intercâmbio de conhecimentos e desenvolvimento de parcerias voltadas ao aprimoramento da gestão dos recursos hídricos no Brasil.
Durante a programação, a Diretora-Geral da Agência Peixe Vivo manteve diálogo com as demais Agências de Bacia do país e representantes do International Office for Water (OiEau). A conversa teve como objetivo aproximar a Agência Peixe Vivo e inserir a instituição nas discussões e iniciativas de cooperação assim como uma oportunidade estratégica para fortalecer a presença institucional da entidade.
Outro destaque da Cúpula foi a transferência da presidência da RIOB para o Brasil. Em cerimônia oficial, a França transmitiu a coordenação da rede ao Governo Brasileiro, consolidando o protagonismo do país na agenda internacional da água. Durante o mandato, o Brasil terá a missão de coordenar a principal rede mundial dedicada à gestão de bacias hidrográficas, fortalecendo a cooperação entre seus membros e promovendo o intercâmbio de experiências em governança das águas.
Clique aqui e confira mais fotos:
Para a Agência Peixe Vivo, a nova posição do Brasil na RIOB representa uma oportunidade estratégica para ampliar a participação dos organismos brasileiros nos debates internacionais e fortalecer a atuação das entidades que trabalham pela implementação da gestão descentralizada e participativa dos recursos hídricos.
A presença da Agência na Cúpula reafirma seu compromisso com a construção de soluções colaborativas e inovadoras para a gestão das bacias hidrográficas, contribuindo para o fortalecimento da governança das águas no Brasil e para a consolidação de parcerias internacionais que gerem benefícios concretos para os territórios e usuários dos recursos hídricos.
Fonte: Peixe Vivo
No último dia da programação oficial da 1ª Semana Nacional da Agricultura Irrigada, promovida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba (CBH Paranaíba) realizou uma demonstração de campo do Laboratório Móvel de Irrigação (LMI), na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF).
O dia de campo apresentou as etapas de avaliação realizadas pelo Laboratório Móvel de Irrigação em diferentes estruturas dos sistemas irrigados, como pivô central e casa de bombas. Os participantes acompanharam como são feitas as medições, quais informações são levantadas em campo e de que forma esses dados compõem o diagnóstico entregue ao produtor rural. Com esse material em mãos, o irrigante pode avaliar ajustes e adequações para melhorar o desempenho do sistema, reduzir perdas e ampliar a eficiência no uso da água e da energia.
Durante a visita, técnicos explicaram os procedimentos utilizados para verificar o funcionamento dos equipamentos, a uniformidade da aplicação de água e as condições operacionais do sistema. A demonstração evidenciou como a análise técnica em campo pode apoiar decisões mais precisas sobre manejo, manutenção e modernização da irrigação.
Para o presidente do CBH Paranaíba, João Ricardo Raiser, a demonstração consolidou a participação do Comitê na Semana Nacional da Agricultura Irrigada, que também contou com atividades no Senado Federal, na CNA e com a realização de um webinar sobre o Laboratório Móvel de Irrigação.
“Depois de passarmos por uma cerimônia no Senado, um evento na CNA e um webinar sobre o laboratório, hoje a gente mostra, na prática, como o Laboratório funciona, quais são as ações que ele executa, como ele beneficia o produtor e, principalmente, como a gente pode formular políticas públicas para o desenvolvimento da agricultura irrigada em benefício da gestão das águas”, destacou.
João Ricardo ressaltou ainda que a segurança hídrica deve ser pensada de forma integrada, considerando todos os usos da água na bacia. “Não existe irrigação sem água. Precisamos garantir segurança hídrica não só para a irrigação, mas para os múltiplos usos da nossa bacia: abastecimento, indústria e agricultura. Todos dependem da mesma água, da mesma fonte e da mesma bacia”, afirmou.
O Laboratório Móvel de Irrigação é um projeto do CBH Paranaíba, financiado com recursos da cobrança pelo uso da água. A iniciativa já atua em diferentes regiões da bacia e tem chamado a atenção de instituições nacionais pelo potencial de apoiar a agricultura irrigada com base em diagnóstico técnico, eficiência e sustentabilidade.
Segundo o especialista em recursos hídricos do MIDR, Marcos Vinícius de Mello, o Ministério enxergou no LMI uma ação estratégica, com possibilidade de contribuir para uma política pública mais ampla.
“O Laboratório Móvel de Irrigação é uma atitude pioneira no âmbito da bacia do Paranaíba, no Distrito Federal e em parte de Goiás, com potencial de tornar-se parte de uma política pública mais abrangente, para que a irrigação em diferentes bacias hidrográficas e em diferentes partes do território nacional seja contemplada com uma ação tão estratégica”, afirmou.
Para Marcos, a aproximação do MIDR com o Comitê e demais instituições busca ampliar o alcance da iniciativa. “O Ministério da Integração, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica e do Departamento de Irrigação, enxergou que se juntar a essa iniciativa, multiplicada principalmente pelo Comitê de Bacia do Paranaíba, é algo estratégico e benéfico para a sociedade como um todo”, completou.
A pesquisadora da Embrapa Cerrados, Maria Emília, destacou que a parceria permite integrar pesquisa, extensão e gestão dos recursos hídricos. Para ela, o LMI cumpre papel importante ao levar conhecimento técnico até o produtor e, ao mesmo tempo, gerar dados capazes de subsidiar novos estudos e políticas públicas. “Não adianta a gente trabalhar com pesquisas, com conceitos, e isso não ser levado para a sociedade, para o produtor. É fundamental o papel da extensão. E o Laboratório Móvel é uma ferramenta fantástica para essa extensão”, afirmou.
Maria Emília explicou ainda que os dados coletados em campo podem fortalecer a atuação da própria pesquisa. “Os dados coletados pelo Laboratório Móvel podem subsidiar as pesquisas da Embrapa e retornar em informações para a formulação de políticas públicas que tragam benefícios, crescimento e desenvolvimento para a agricultura irrigada”, destacou.
Representando a CNA, Daniele Coelho, consultora da Comissão Nacional de Irrigação, avaliou que o projeto também ajuda a demonstrar ao setor produtivo a importância da cobrança pelo uso da água quando os recursos retornam em forma de benefícios concretos. “É uma forma de mostrar ao setor o quanto a cobrança é importante e, de fato, valorizar essa água. A eficiência dessa água faz sentido para a nossa produção e para a evolução da nossa atividade no futuro”, afirmou.
A demonstração de campo reforçou o alcance da iniciativa pioneira desenvolvida e financiada pelo CBH Paranaíba. O Laboratório Móvel de Irrigação evidencia como projetos estruturados no âmbito dos comitês de bacia podem ganhar escala, atrair novos parceiros e inspirar soluções para outras regiões do país, onde a produção agrícola também depende do uso cada vez mais eficiente da água.
Fonte: CBH Paranaíba
Com o avanço das missões espaciais e a retomada das viagens tripuladas à Lua no âmbito do programa Artemis, liderado pela NASA, um tema ganha cada vez mais relevância: como garantir recursos básicos, como a água, em ambientes extremamente limitados. Nesse tipo de missão, a eficiência no uso de recursos não é apenas uma preocupação, mas uma condição essencial para viabilizar a permanência humana fora do planeta.
Para isso, foram desenvolvidos alguns dos sistemas de reutilização de água mais avançados do mundo, atualmente operando na Estação Espacial Internacional. O que parece um cenário extremo revela, na verdade, lições valiosas para a gestão hídrica aqui na Terra.
Os sistemas da Estação Espacial Internacional conseguem recuperar cerca de 98% de toda a água utilizada pelos astronautas, um avanço significativo em relação aos cerca de 94% registrados em anos anteriores. Esse reaproveitamento inclui urina, suor, vapor da respiração e até a umidade presente no ambiente. Na prática, isso significa que a água consumida em um determinado dia pode ter sido reutilizada diversas vezes ao longo da missão, aproximando-se de um ciclo quase fechado.
O tratamento de água no espaço é altamente tecnológico e envolve múltiplas etapas, desde a coleta de águas residuais até sistemas avançados de filtragem, separação de impurezas e tratamentos físico-químicos que garantem a potabilidade da água. Esse conjunto de tecnologias faz parte do sistema conhecido como ECLSS (Sistema de Controle Ambiental e Suporte à Vida), responsável por manter condições adequadas de sobrevivência no espaço. O resultado é uma água que atende padrões rigorosos de qualidade, fundamentais para a saúde dos astronautas em missões de longa duração.
Esse exemplo demonstra a segurança da água de reuso, que muitas vezes é vista com certa desconfiança pela população, mesmo que exames de qualidade atestem sobre a eficácia desse tipo de tratamento. Hoje em dia, a legislação brasileira permite a aplicação de água de reuso apenas para rega de jardins e uso nas descargas de vasos sanitários.
Cada astronauta consome, em média, cerca de 4 litros de água por dia no espaço para atender as necessidades básicas como hidratação, preparo de alimentos e higiene. Sem a reutilização, seria necessário transportar grandes volumes de água da Terra, o que aumentaria significativamente os custos e limitaria o tempo de permanência no espaço. Por isso, sistemas de reuso são considerados indispensáveis para missões de longa duração, como as futuras permanências na Lua e as viagens tripuladas a Marte. Nesse contexto, a eficiência hídrica deixa de ser uma escolha e passa a ser uma condição para a sobrevivência.
O contraste com a realidade terrestre é explícito: enquanto no espaço a reutilização da água atinge níveis próximos de 100%, na Terra ainda enfrentamos desafios significativos relacionados à eficiência dos sistemas de abastecimento. O Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados, aponta em seu estudo de Perdas de Água mais recente que o Brasil desperdiça 40,31% da água tratada antes mesmo que ela chegue às torneiras.
Em meio ao avanço das mudanças climáticas e ao agravamento das secas e dos eventos extremos, o levantamento evidencia que a ineficiência no controle de perdas representa um problema ambiental, econômico e social de grande escala.
Soluções como o reuso de água em processos industriais, o aproveitamento de águas cinzas em edificações e o tratamento avançado de efluentes já demonstram resultados positivos e têm grande potencial de expansão. Em um cenário marcado pelo crescimento populacional, pelas mudanças climáticas e pela crescente pressão sobre os recursos naturais, o reuso deixa de ser uma alternativa e passa a ser parte essencial da solução.
A experiência no espaço mostra que é possível operar com níveis extremos de eficiência mesmo em condições adversas. Mais do que uma curiosidade tecnológica, trata-se de um exemplo concreto de inovação aplicada à sustentabilidade. Se no espaço cada gota conta, na Terra essa lógica também precisa se tornar prioridade.
Consócio PCJ
Imagem: NASA