A crise de abastecimento de água que assola o Estado de São Paulo trouxe um ponto positivo, qual seja a conscientização de que precisamos repensar a gestão dos recursos hídricos no Brasil.

A importância da Água, bem como o termo “Segurança Hídrica”, nas suas três vertentes: Humana, Sócio Econômica e Ecológica, passam a ser melhor entendidos pela sociedade que começa a compreender que a Água é o motor do crescimento sustentável, através de seu uso consciente e que a sua escassez gera fonte de conflitos entre os seus diferentes usos.

Cabe aqui lembrar que a água ou a falta dela será o grande desafio da sociedade nas próximas décadas. Embora o Brasil seja o detentor das maiores reservas de água do mundo, torna-se claro o nosso despreparo na gestão deste recurso renovável. A sua falta afeta a geração de energia, o setor industrial e a produção agropecuária.

Outro fato interessante é avaliar as agendas para o período 2015-2018, que estão sendo preparadas para os presidenciáveis brasileiros pelas associações, instituições e organismos não governamentais ligados ao tema Água.
Ao fazer esta análise de sete destas agendas, que juntas contém mais de 100 propostas, encontraremos um número razoável de convergências, ou seja, 20 propostas são comuns a todas agendas e podemos distribuí-las em duas questões básicas na busca de um novo modelo de gestão de recursos hídricos no Brasil:

Criação de um ambiente onde os setores envolvidos na utilização da Água possam se articular e planejar suas ações de maneira racional e integrada.

Definição de critérios de eficiência na aplicação de recursos na infraestrutura hídrica, sejam eles públicos ou privados.

Vale ser destacado como alerta que a universalização dos serviços de abastecimento de Água e Saneamento cuja previsão pela PLANSAB (Plano Nacional de Saneamento) para 2013 tem que ser garantida, pois não adianta dispor de água e energia para alimentar os homens e em seguida deixa-los morrer em função da má qualidade da água ou doenças vinculadas hidricamente, decorrentes da poluição.

O acesso a coleta e tratamento de esgoto para 100 milhões de brasileira é a garantia de água para a saúde.

 

Articulista Newton AzevedoEngenheiro Civil pela Escola Politécnica da USP (1972),
Governador pelo Brasil no Conselho Mundial da Água,
Conselheiro para o tema Meio Ambiente da FESPSP-
Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo,
Membro do Comitê Executivo da AQUAFED
- International Federation of Private Water Operators (França),
Vice Presidente da ABDIB – responsável pela área de Meio Ambiente.

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