O Conselho Mundial da Água promove, a cada três anos, o Fórum Mundial da Água, o mais importante evento técnico relacionado ao tema da água no planeta. O Fórum contribui para aumentar a importância desse tema na agenda política internacional e cria um consenso para solucionar problemas relacionados à água e saneamento, contribuindo para a formulação de políticas públicas nas questões afetas à gestão integrada e ao uso racional dos recursos hídricos.

Já foram realizadas seis edições deste importante evento: Marrakesh, Marrocos, em 1997; Haia, Holanda em 2000; Kyoto, Japão em 2003; Cidade do México, México em 2006; Istambul, Turquia em 2009; e Marselha, França em 2012. A sétima edição será realizada na cidade de Daegu, Coréia do Sul, de 12 a 17 de abril de 2015.

Em sua sexta edição, realizada na cidade de Marselha, França, o Brasil teve destacada atuação política e técnica, apresentou um dos pavilhões mais originais e sua presença mobilizou quase setenta instituições brasileiras, dentre as quais destaco os representantes de órgãos de governo – federal, estadual e municipal; do parlamento, da academia, de empresas, de associações profissionais e de setores usuários.
Em um contexto mais amplo, é notório o crescimento técnico, político e institucional do país no setor de recursos hídricos.

Aliado a isto, o Brasil dispõe de um amplo conjunto de boas práticas em gestão de recursos hídricos e tem desempenhado um papel relevante em ações de cooperação internacional, além de participar ativamente dos mais importantes fóruns internacionais de recursos hídricos e temas correlatos.

Esta mobilização se traduz na estruturação e atuação da Seção Brasil do Conselho Mundial da Água que reúne atualmente quarenta e quatro membros que representam os principais nichos institucionais que atuam no setor de recursos hídricos.

Sendo o Fórum Mundial da Água o mais importante evento sobre o tema da água e tendo em vista o crescente interesse das instituições e técnicos brasileiros nesse evento, foi iniciada, sob a coordenação da Seção Brasil, uma mobilização para a apresentação de candidatura brasileira para sediar o 8º Fórum, em 2018.

A escolha do país e da cidade para sediar o 8º Fórum Mundial da Água, a ser realizado em 2018, coordenada pelo Conselho Mundial da Água, contou com a apresentação de nove candidaturas que, numa primeira fase, foi reduzida para quatro e, finalmente, para duas candidaturas: Brasil e Dinamarca.

O Brasil e a cidade de Brasília submeteu proposta baseada em dois pilares. O primeiro, o do compartilhamento de experiências exitosas, boas práticas e intercâmbio e cooperação em instituições, regiões, e nações. O segundo, o pilar da Sustentabilidade, entendendo que qualquer iniciativa envolvendo água deve considerar o seu uso racional e consciente.

Além disso, sediar o 8º Fórum Mundial da Água em 2018 no Brasil apresenta algumas vantagens comparativas: o potencial hídrico do país, o fortalecido cenário técnico, institucional e legal afeto ao setor e um ineditismo extremamente favorável em tempos de globalização, pois será a primeira edição do fórum no hemisfério Sul.

A figura abaixo, ilustra de forma inequívoca este desequilíbrio em termos de distribuição geográfica das sedes dos eventos anteriores e do próximo, distribuição que deveria ser equitativa em termos geopolíticos para um evento que se pretende, e de fato é, planetário.

Esta característica geopolítica, por si só, já justifica a escolha do Brasil e de Brasília. Sinaliza a alternância política e um reconhecimento ao fortalecimento e participação de países em desenvolvimento nas discussões de âmbito global, notadamente no que se refere ao uso dos recursos hídricos e a temas correlatos tais como governança da água, mudanças climáticas e recursos hídricos, reuso e uso racional da água, água e energia, água e saneamento, água e segurança alimentar, entre outros.

No contexto do processo de seleção, em agosto passado a cidade de Brasília recebeu a visita do Comitê de Avaliação do Conselho Mundial da Água, composto por quatro membros, que avaliou as condições políticas, institucionais, técnicas e as características de infraestrutura da cidade de Brasília para sediar o Fórum em 2018.

Manifestações preliminares indicam que a visita foi exitosa e atingiu plenamente os seus objetivos de avaliar o interesse e apoio político e as potencialidades do Brasil e de Brasília para sediar o evento.

Contribuiu para o sucesso da missão, a participação da Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, das mais altas autoridades do Governo do Distrito Federal, Governador Agnelo Queiroz e Vice-Governador Tadeu Filippelli, e dos Senadores Rodrigo Rollemberg, Jorge Viana e Sergio Souza, além de diversos secretários de estado e dirigentes de órgãos e setores estratégicos do GDF, dirigentes do Governo Federal, diretores da ANA e representantes de importantes instituições brasileiras que representam os mais diversos setores usuários de recursos hídricos e compõem a Seção Brasil do Conselho Mundial da Água.

Outro aspecto importante foi Brasília confirmar, durante a visita, as condições para sediar tão importante evento. Foram visitados os locais sugeridos – Centro de Convenções e Estádio Nacional, e apresentados sua moderna infraestrutura e aspectos logísticos únicos – concentração hoteleira e mobilidade urbana adequada, fazendo com que “o fórum aconteça num raio de dois quilômetros”.

Agora, resta-nos aguardar a escolha final entre Brasília e Copenhague, a ser realizada pelos Governadores do Conselho Mundial da Água em 2014.

Temos a sensação de dever cumprido. O potencial do Brasil como 6ª maior economia do mundo, sua importância geopolítica no cenário internacional, nosso maravilhoso potencial hídrico, o fato de Brasília ser o coração político do país, o potencial urbanístico moderno da cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, e, principalmente, por propiciar ao Conselho Mundial da Água a realização do primeiro fórum no hemisfério Sul, são algumas das razões pelas quais entendemos que a candidatura do Brasil e de Brasília atende todos os requisitos e expectativas do Conselho e da comunidade internacional.

Sediar a realização do 8º Fórum Mundial da Água em 2018 trará ganhos inquestionáveis para o Brasil e para Brasília.

 

Ricardo Medeiros de Andrade

ricardo.andrade@ana.gov.br
Engenheiro Civil, graduado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte em 1993. Atualmente é Superintendente de Implementação de Programas e Projetos da Agência Nacional de Águas e desde 2009 é Governador-Suplente do Brasil junto ao Conselho Mundial da Água e é o Coordenador da Seção Brasil do Conselho Mundial da Água para o período 2012-2015.

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