cinquenta-tons-de-azul-vivo

Há muitos lugares no mundo onde os recursos hídricos têm uma só cor: a da degradação. São cenários com rios mortos, natureza verde destruída, aquíferos poluídos. Regiões onde o homem que insiste em fincar moradia está condenado ao isolamento e morte prematura.

Estes lugares, inimagináveis para nossos olhos acostumados a ver e sentir a água muitas vezes em abundância é hoje realidade em muitos países do mundo. Locais onde a vida de qualquer espécie é um verdadeiro milagre. Espaços desertificados pelo uso agressivo e predador do homem que impôs á terra sua vontade desenvolvimentista, provocando ali prematuramente seu próprio êxodo.

Neste contexto, condicionado ao aumento das populações, os especialistas e estudiosos concluem que, se nada for feito, em curto espaço de tempo, nenhum ser humano na terra poderá se vangloriar por ter exatamente o que temos ainda por aqui em nosso país: um meio ambiente com água, sadio para viver. Estes mesmos especialistas, num cenário mais pessimista, se arriscam a escrever que teremos guerra por um espaço para viver em futuro bem próximo. Por quê? Escassez de água.

E como inverter isto? Como desacelerar, minimizar e dar novo rumo a este futuro sombrio para os habitantes de nosso planeta?

Aqui os especialistas respondem: independente de todas as obras, serviços ou ações de mitigação diretamente na natureza em que vivemos, somente pela educação é que reverteremos este pseudo apocalipse para o homem na terra.

Nesta linha, podemos dizer que processos educativos em geral são elaborados para conscientizar e projetar normas de conduta nas pessoas visando fundamentalmente estabelecer no meio em que estas vivem uma relação de sinergia.

Podemos elaborar e implementar ações de educação para quaisquer relações que o ser humano tenha com o ambiente em que vive, ou seja, podemos ensina-lo a se portar na sociedade ou simplesmente dar a ele o ensinamento da escrita e leitura, mas sempre este processo de educação estará vinculado indelevelmente ao ser humano.

Assim, a educação ambiental estabelece com clareza a relação que o homem tem com o meio ambiente, no nosso caso em especial com água. Porém, distante de um ensinamento claro e objetivo, este tipo de educação depende de todos os envolvidos com o meio em que se vive. As forças devem ser conjuntas e de alguma forma integradas, para que a cultura do cuidar da natureza e seu habitat seja algo natural no ser humano.

Recentemente, uma pesquisa americana feita num território delimitado por duas regiões com alto grau de desenvolvimento, apontou que 88% das pessoas, estatisticamente, não se lembravam de alguma ação que tenham promovido ou induzido a favor do meio ambiente.

Mais surpreendente ainda é que, entre todos os entrevistados, 65% não sabia exatamente o que precisava ou poderia fazer para melhorar o ambiente em que vive. Se apontadas pequenas ações a estas pessoas, o que se percebeu é que na grande maioria, elas sabiam que poderiam praticar muitos atos em prol da melhor qualidade de suas vidas, porém, por “esquecimento” ou desconhecimento, não o faziam.

Solução: educação. Educação que traga a cultura do cuidar de nosso meio ambiente, em especial da nossa água. E educação que tenha como pano de fundo, políticas públicas efetivas e com metas.

Aí teremos, com certeza, teremos mais espaços permeáveis, menos lixo nas ruas e nos rios, mais consciência no uso racional da água, menos desperdício, menos terra de estradas municipais indo para os rios, etc, etc.

Quanto ao título deste editorial, absolutamente nada a ver com o livro que está fazendo sucesso. Apenas para lembrar que nossa água tem inúmeros tons de azul. Azul límpido, claro e vibrante. E o pincel que retrata esta tela, nos tem como pintores.

Lupercio-Ziroldo

LUPERCIO ZIROLDO ANTONIO
Presidente da Rede Brasil de Organismos de Bacias Hidrográficas

rebob@rebob.org.br

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