Rios-Voadores

O Brasil pode ser posicionado como umas das maiores potências mundiais no contexto ambiental, tendo grande abundância de águas subterrâneas e também a maior rede de bacias hidrográficas do Planeta. Cerca de 12% das reservas de água doce do planeta estão em nosso território. Mesmo assim, sofremos com a distribuição irregular deste recurso, visto que 80% da água estão na Bacia Amazônica, região que concentra apenas 7% da população brasileira.

Além disso, a ONU prevê um aumento de 40% na demanda mundial de água até 2030. Isto demonstra a responsabilidade tanto da sociedade quanto das empresas na busca da preservação dos recursos naturais, sobretudo dos recursos hídricos. Como uma das cinco maiores empresas de energia do mundo, a Petrobras tem entre seus principais desafios ser referência internacional em responsabilidade social e na gestão dos negócios, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e dando grande atenção ao uso eficiente e racional da água.

Durante o VI Fórum Mundial da Água, realizado em março deste ano, na França, a Petrobras teve a oportunidade de mostrar iniciativas de reaproveitamento e conservação deste recurso. No ano passado, os projetos realizados nas unidades da Companhia resultaram no reúso de mais de 20 bilhões de litros de água, o que já equivale a cerca de 10% do volume necessário às suas operações.

Rios-Voadores_chuva

Projeto Rios Voadores

Outra frente importante na conservação dos recursos hídricos é o Programa Petrobras Ambiental (PPA) que, desde 2003, patrocina projetos de conservação e educação ambiental focados nos temas água e clima. Para o período 2008-2012, foram reservados R$ 500 milhões para investir no programa, tendo o Projeto Rios Voadores como uma das iniciativas ícones. Em 2011, a carteira de projetos do PPA contou com quase cem iniciativas, com envolvimento direto de mais de 420 mil pessoas. Os projetos atuam nas linhas de gestão de corpos hídricos superficiais e subterrâneos; recuperação ou conservação de espécies e ambientes costeiros, marinhos e de água doce; e fixação de carbono e emissões evitadas. O PPA já patrocinou projetos em dezenas de bacias e ecossistemas em cinco biomas brasileiros: Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado e Pantanal.

O Projeto Rios Voadores, também apresentado no fórum, tem como objetivo mostrar até que ponto a presença da Floresta Amazônica contribui para o clima no restante do Brasil e como o desmatamento da região amazônica poderia afetar o clima e alterar o ciclo das chuvas, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do País. A iniciativa consiste em uma expedição brasileira que percorre os “rios voadores”, definidos como as correntes de ar carregadas de vapor de água que atravessam a Amazônia e trazem a umidade para outras regiões do Brasil.

Em ação inédita, um balão é utilizado para realizar voos mais próximos à floresta, permitindo fazer a coleta do vapor de água cedida para a atmosfera pela evaporação das folhas e a transpiração das árvores e plantas. Segundo os cálculos do pesquisador do projeto Antônio Nobre, são cerca de 20 bilhões de toneladas de água por dia que evaporam da floresta, sendo que uma parte é transportada de forma “invisível”, por cima das nossas cabeças. Para se ter uma ideia, a vazão média do Amazonas é da ordem de 17 bilhões de toneladas de água por dia. Ou seja: a quantidade de água evaporada diariamente poderia superar a vazão do maior rio do mundo. Apenas uma árvore pode evaporar 300 litros de água em um dia, podendo, quando maiores, jogar até 1.100 litros na atmosfera. O clima de São Paulo, por exemplo, nunca terá impacto direto na Amazônia, mas o estado de preservação de toda a região amazônica parece fazer a diferença, não só para as demais cidades brasileiras como até mesmo para outros países.

As informações coletadas pelo Projeto Rios Voadoras permitem aumentar o conhecimento sobre o movimento das massas de ar pelo País, um dos elementos cruciais para o entendimento dos efeitos das mudanças climáticas. Os resultados são apresentados para professores e alunos em centenas de escolas de diversos estados. Até agora, 50 mil crianças já foram conscientizadas sobre a necessidade de evitar a poluição de mananciais, rios e mares e, sobretudo, a importância da preservação da Floresta Amazônica, não só para o clima de todo o País, mas do bem estar de todos os brasileiros.

Gerard-Moss

Gislaine Garbelini, gerente setorial de Programas Ambientais da área de Responsabilidade Social da Petrobras

Gerard Moss, ambientalista e Coordenador do Projeto Rios Voadores. Recebeu, em 2011, a condecoração da Rainha do Reino Unido, Elizabeth II, pelos serviços prestados em questões do meio ambiente no Brasil.

 

 

 

 

Gerard Moss

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